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...

por Daniela Barreira, em 04.04.15

A mão dela estremeceu. Aquele toque ultrapassou-lhe a pele e percorreu-lhe, num arrepio, todos os sentidos. Esteve quase para tirar a mão, mas não o fez. Na realidade, ela não queria deixar de sentir a mão dele. E que mão aquela... Era como se a sua mão coubesse dentro da mão dele, num encaixe perfeito.
Ele quebrou o silêncio: - “Cai o silêncio nos ombros e a luz impura, até doer.”
Ela sorriu e, num breve suspiro, completou: -“ É urgente o amor, é urgente permanecer.”
De novo, o silêncio. Ela olhou para ele, ele já estava a olhá-la mas, desta vez, sem sorrir. Ela sorriu-lhe, mas ele permaneceu sério, sem nunca desviar o olhar. Ela sentiu o calor invadir-lhe o rosto, estava a corar. Sentiu-se envergonhada, mas não quis tirar a mão da dele. Sorriu de novo, não conseguia evitar. Não conseguia adivinhar o que estava ele a pensar. Afinal... nem o conhecia. Mas sentia que, sempre que ele a olhava, via mais um bocadinho da sua alma. Seria possível estar a começar a conhecer este homem pelo olhar?
- Não vou conseguir ver o seu sorriso outra vez? - foi ela a quebrar o silêncio desta vez.
Ele sorriu. Apertou, suavemente, a sua mão. De novo, um arrepio pelo corpo dela. Num impulso, ela levantou-se. Foi buscar as canecas e o vinho. Trouxe também a manta. Foi a vez de ele observar cada movimento seu. Sentou-se ao lado dele, deu-lhe uma caneca, estendeu a manta sobre os dois, aconchegou-se mais para ele e não disse nada. Olhou para cima. O seu olhar perdeu-se naquele céu e nem reparou que o olhar dele continuava perdido nela...

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