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...

por O Principezinho, em 08.02.16

O abraço dele era forte. Fazia com que ela não tivesse medo de nada. Ficaram alguns minutos assim, abraçados, sem nada dizerem…para eles, o tempo parou ali…
Mas o relógio não parava e o sol estava a pôr-se. Ele afastou-se com carinho e fez-lhe uma carícia no rosto. Estendeu-lhe a mão e disse:
- Venha, temos que arranjar urgentemente um local abrigado para ficarmos esta noite.
Ela sorriu e deu-lhe a mão. Deixou-se guiar por ele.
A luz do dia começava a escassear e ele só via mato e árvores. Nem uma casa ou cabana por perto.
Continuaram a caminhar até que ela avistou umas casas em ruínas.
- Olhe ali! – disse, apontando para as ruínas.
Ele sorriu e disse:
- Acha que consegue?
- Claro que sim! É só uma noite. Amanhã seguimos caminho, verdade?
- Sim, claro que sim.
Quando chegaram, encontraram algum lixo no chão. Vestígios do que lhes parecia ter sido um piquenique.
- Vou dar uma vista de olhos a ver se encontro algo que nos possa ser útil. Fique abrigada aqui por favor. Volto já.
Sem aquele homem por perto ela sentia frio e até medo. Sem ele, não teria tido a coragem de largar tudo. Jamais estaria ali.
O tempo parecia arrastar-se e ele nunca mais chegava. Será que lhe tinha acontecido alguma coisa? Será que se tinha perdido? Será que se tinha cansado dela e tinha ido embora?
Não, ele não a deixaria ali sozinha naquele lugar. O coração dizia-lhe que ele voltava. O seu pensamento tinha medo que não voltasse.
Ela olhava em redor e não via nada. Só os sons da noite, que a começavam a assustar. Sentou-se a um canto, completamente imóvel. Quase nem respirava e no entanto conseguia ouvir o bater do seu próprio coração. Estava aterrorizada de medo.
De repente, ouviu passos. O coração parecia querer saltar-lhe do peito.
- Alice? Onde está?
O alívio foi tal que pareceu ter levado um choque eléctrico. Ficou paralisada e sem fala. Apenas levantou o braço e ele viu-a de imediato.
Trazia algo nos braços, mas largou tudo e dirigiu-se a ela:
- Você está bem? Que se passa? Aconteceu alguma coisa? Apareceu alguém?
- Não…está tudo bem…eu…
- Alice…fale comigo…está a deixar-me preocupado…
- Tive medo. Medo que você não voltasse. Medo de ficar aqui sozinha.
Ele sorriu e disse:
- Acha que a deixava aqui? Sei que não me conhece de parte alguma mas era incapaz de o fazer! Encontrei algumas coisas! Nada de especial, mas foi tudo o que encontrei. Encontrei esta placa de esferovite no meio de um monte de entulho das obras. Vai ser onde a madame vai dormir. O esferovite aquece, sabia? E, mais pura das sortes, encontrei esta caixa de fósforos caída no chão com este maço de tabaco. Suspeito que devia ser de algum pastor. Eu não fumo, mas não sei se você fuma, por isso trouxe-o na mesma. Mas, o mais útil serão os fósforos. Não tem muitos mas vai dar para fazermos uma fogueira.
- Você é um querido. Eu aqui cheia de medo e você preocupado comigo, com o meu bem-estar…devia ter ido consigo…
- Deixe-se disso. Quer testar a cama?
Ela sorriu. Ele fazia-a sorrir. Ele colocou no chão a placa que devia medir cerca de 1,50 cm e ela sentou-se.
- Já sei porque não se deita. Não tem almofada! Deixe-me só tentar fazer lume e já tratamos disso. Não se vê nada.
- Quantos fósforos tem a caixa?
- Três.
- Não acha melhor guardar? Hoje já não vamos fazer nada. Para descansar não é necessário ter luz.
- Sim, mas pensei em fazer lume para a aquecer.
- Você aquece-me.
Instintivamente ele sentiu uma ereção. Felizmente para ele, estava tão escuro que ela não conseguiria ver o volume que se estava a formar nas suas calças.
Ele tirou o casaco e deitou-o sobre o corpo dela. Ele estava demasiado quente, não precisaria dele.
- Não faça isso. Estou bem. Depois você ficará com frio.
- Não tenho frio, estou bem.
Deitou-se no chão, em cima da erva seca e tentou não pensar nela a ver se o desassossego lhe passava.
- Sabe para que servem essas placas de esferovite?
- Para camas improvisadas? – Começou a rir.
- Também, como vê! – disse ele em tom de brincadeira. - Servem para isolar as construções. Por isso a trouxe, para que se mantivesse quente.
Ela calou-se e ele pensou que tinha adormecido. Ele continuava excitado só de sentir a presença daquela mulher ali tão perto.
Ela não dormia. Pensava nele.

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